domingo, julho 11, 2010

Xavi minimiza influência do Barcelona e diz que posse de bola é chave para vitória

Atacante Pedro parte para cima de marcadores alemães na semifinal
Atacante Pedro parte para cima de marcadores alemães na semifinal
Crédito da imagem: Reuters
por Julio Gomes, de Johanesburgo (África do Sul), para o ESPN.com.br

O time titular da Espanha que entrou em campo na semifinal contra a Alemanha, e que deverá ser o mesmo na decisão deste domingo com a Holanda, tinha em campo nada menos do que sete jogadores do Barcelona. Um deles, Villa, é verdade, acaba de ser contratado e nunca atuou pelo time. Mas os outros seis, Piqué, Puyol, Busquets, Xavi, Iniesta e Pedro, formam a espinha dorsal do bicampeão espanhol.

A enorme influência catalã no jeito de jogar da Espanha nos últimos quatro anos não é segredo para ninguém. Mas no dia seguinte em que o Estatuto da Catalunha, após anos de debates, foi rechaçado pela justiça espanhola, o meia Xavi evitou polemizar.

Estou muito orgulhoso. Mas não há só jogadores do Barcelona nesse time. O padrão é parecido, o perfil de jogo é similar ao que fazemos no Barcelona e isso é um orgulho, mas a seleção não é só o Barça. Nos sentimos bem e está todo o país orgulhoso do futebol que joga essa seleção", minimizou Xavi.

O técnico da Espanha, Vicente del Bosque, aproveitou a ocasião para pedir que o futebol volte a ser importante para unir o país. "O Rei (Juan Carlos) nos pediu para manter o espírito e foi muito carinhoso. Temos jogadores de diversas comunidades, de todos os lugares e tomara que essa união sirva para todo o país. Esses acontecimentos esportivos são bons para que na Espanha se relativize mais e não haja tanto radicalismo", comentou Del Bosque.

Sobre o jogo, Xavi, um dos jogadores mais inteligentes do futebol mundial, cravou a posse de bola como o fator que será decisivo. Quem mantiver a bola, segundo ele, será a campeã.

Até agora, na Copa, a Espanha teve bem mais posse do que seus rivais em todas as partidas: 63% contra a Suíça, 57% contra Honduras, 58% contra o Chile, 61% contra Portugal, 59% contra o Paraguai e 51% contra a Alemanha - número que era maior até o gol da Espanha e a posterior tentativa de os alemães chegarem ao empate.

A Holanda, no entanto, também é uma seleção que costuma dominar a posse de bola. Teve, em seus jogos, 58% contra a Dinamarca, 61% contra o Japão, 49% contra Camarões, 52% contra Eslováquia, 53% contra o Brasil e 53% contra o Uruguai.

"Os dois times têm jogadores importantes no meio, mas não vejo uma guerra só ali. A verdade é que quem tiver a maior posse terá o jogo mais perto de ser vencido. Vamos partir para o ataque desde o primeiro minuto, impondo nossa personalidade, e desse jeito teremos o jogo ganho. Na posse está a chave da partida", analisou Xavi.

O curioso é que, a não ser que vença a final por uma goleada e marque quatro gols, a Espanha, do futebol vistoso e da posse de bola, será a campeão com pior ataque da história das Copas.

"Não conseguimos muitos gols. Mas estamos jogando bem, criamos ocasiões e nosso futebol é notável. Geramos ocasiões, mas o percentual de acerto não é muito elevado, não é o habitual. Vamos ver se amanhã melhoramos o aproveitamento", pediu Xavi.

O atacante Villa fez cinco dos sete gols marcados pela Espanha no Mundial - a seleção venceu por 1 a 0 os duelos de oitavas contra Portugal, quartas contra Paraguai e semifinal contra a Alemanha. Villa, Xavi e Iniesta são os três espanhóis que concorrem ao prêmio da Fifa de melhor jogador do Mundial.

"O número um do mundo é Messi, mas ele foi eliminado nas quartas. É um orgulho estar entre os dez, mas não parei para pensar nisso. Quero que o time jogue bem e ganhe, o demais é secundário. O mais importante é o coletivo e a partir daí chegam os prêmios individuais", concluiu Xavi.

Nenhum comentário: