segunda-feira, julho 05, 2010

Técnico uruguaio detona críticos de Suárez; holandês defende Robben

por Julio Gomes, da Cidade do Cabo (África do Sul), para o ESPN.com.br

Não foram entrevistas de "babação", perguntas tolas, puxa-saquismo. Em plena véspera de semifinal de Copa do Mundo, Oscar Tabárez, o técnico uruguaio, e Bert van Marwijk, o holandês, foram verdadeiramente sabatinados na sala de imprensa do estádio Green Point, na Cidade do Cabo. Diante da imprensa do mundo inteiro, o uruguaio foi mais duro, com respostas longas e elaboradas. O holandês, mais seco e direto.

O que mais irritou Oscar Tabárez foi a pergunta de um jornalista alemão, feita em inglês, sobre a falta de ética pelo fato de Luis Suárez ter impedido com as mãos o que seria o gol decisivo de Gana nas quartas de final. Gyan acabaria perdendo o pênalti que resultou da "defesa" de Suárez, e depois, na disputa por pênaltis, deu Uruguai. "Não é uma vergonha celebrar algo parecido com o lance da Mano de Dios de Diego Maradona?", questionou o jornalista.

"O que me dá vergonha é a trama feita por jornalistas, especialmente ingleses. Imagino o por quê", rebateu o treinador, em tom severo, sem saber que o repórter era alemão.

"Foi uma ação de futebol prevista no regulamento. Pensar que o jogador que comete uma falta por puro instinto tinha outra intenção é tendencioso demais. E não venha falar da falta de humildade dos uruguaios. A força pessoal tiramos no momento e não falando de outros países. O assunto me incomoda sim, não aceito que nos chamem de uma equipe que faz trapaças", esbravejou.

No momento em que a pergunta era feita para Tabárez, um jornalista uruguaio, vestindo um casaco da Celeste, gesticulava de forma indignada.

Na entrevista seguinte, com Bert van Marwijk, a pergunta polêmica da vez foi sobre Arjen Robben e sua tendência a "mergulhar" em campo e provocar faltas que não existem ou cartões amarelos em lances não tão violentos. Alguns jogadores da seleção brasileira reclamaram dos "exageros" de Robben depois da partida da última sexta.



Van Marwijk foi menos agressivo que Tabárez em sua resposta e até mesmo admitiu que, no passado, seu atacante exagerava de fato. "Ele não faz isso (cair e pedir falta) de forma deliberada. É incrivelmente rápido e criativo. Enfrenta um rival, leva falta, é empurrado, apanha. No passado, talvez ele tenha feito coisas que não deveria ter feito, mas já aprendeu a lição", opinou o holandês.

O técnico uruguaio também falou sobre Robben. Elogiou o holandês, mas fez ressalvas e pediu para o árbitro da partida ficar atento para possíveis simulações.

"Concordo totalmente que é um grande jogador. Rápido, hábil, que busca a diagonal e define com muita eficiência. Com a volta de Robben, essa Holanda do Mundial ficou muito forte", disse Tabárez.

"Agora, eu não seria exagerado para dizer que é uma vergonha (como o jornalista havia dito anteriormente sobre o lance de Suárez). Mas ele cai, como todos os jogadores que apanham muito. Para isso está o árbitro, que pode interpretar a intenção e agir. O controle dos jogadores da Holanda é parte da sorte que podemos ter. Não só o Robben, mas também Sneijder, outro acima da média."

Tabárez reclamou também durante sua entrevista de jornalistas "espiões" uruguaios, que teriam conseguido ver o treino secreto da seleção Celeste hoje na Cidade do Cabo e desrespeitaram o "pacto" feito entre seleção e imprensa. E também se irritou com notícia de que o zagueiro Martín Cáceres, único jogador de linha não utilizado até agora no Mundial, estaria insatisfeito. Cáceres poderá até ser titular nesta terça, devido à suspensão de Fucile.

"São notícias que não são certas, publicadas por pessoas que não se preocupam em confirmá-las. Não se importam que há outro tipo de jornalismo esportivo e não se importam com as consequências para esse grupo. Lamento por esses rumores, essas falsidades", reclamou.

Se sobraram farpas para os jornalistas, não faltaram também elogios para as respectivas seleções, que se enfrentarão pela segunda vez na história ds Copas - em 74, deu Holanda.

"Em um dos nossos primeiros jogos, usei o Uruguai como exemplo para meus jogadores. Olha a paixão que eles colocam em campo. Não é por nada que chegaram tão longe. Cada um tem que olhar para sua cultura, mas podemos usar as outras como exemplo, sim", enalteceu Bert van Marwijk.

"Em 98, trabalhava para a Fifa e tive a honra de conhecer Rinus Michels. Ele me disse: 'Os holandeses não sentimos o futebol se não for atacando'. Essa seleção atual mantém isso, mas agregou uma preocupação defensiva. Me disseram que criticam esse time em seu país, mas a verdade é que eles se adequam bastante ao futebol dos nossos tempos", elogiou Tabárez.

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