segunda-feira, julho 05, 2010

Técnico rechaça Uruguai 'potência' e pede: 'Permitam nosso sonho'

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por Julio Gomes, da Cidade do Cabo (África do Sul), para o ESPN.com.br


O técnico Oscar Tabárez, do Uruguai, não se engana. A chegada do Uruguai à semifinal da Copa do Mundo é "circunstancial" e nem de longe indica que a Celeste estaria voltando a seus tempos gloriosos da primeira metade do século passado.

"É perverso viver de resultados circunstanciais. O mundo hoje é diferente, e a distância do primeiro mundo para o terceiro mundo é cada vez mais ampla, cada vez mais a imigração dos jogadores que vão a Europa enfraquecem as nossas ligas. É quase utópico falar de uma predominância do Uruguai no futuro. O mundo não mudou pelo resultado de três ou quatro jogos. Estamos tentanto nos adaptar a essa nova realidade e buscar elementos que atenuem esse poderio econômico e de organização de outros países", disse o treinador na entrevista coletiva prévia à partida contra a Holanda na Cidade do Cabo.

"Por sorte, é futebol, e por isso temos nossas expectativas."

Aí mora a esperança uruguaia de chegar a sua primeira final desde a primeira de todas as Copas, disputada em 1930 - em 1950, é bom lembrar, os uruguaios ganharam do Brasil no Maracanã em jogo da última rodada de um quadrangular decisivo, e não em uma decisão em partida única.

Tabárez revelou que no dia 4 de dezembro do ano passado, quando o sorteio colocou o Uruguai em uma espécie de grupo da morte ao lado da França, da anfitriã África do Sul e do México, recebeu mensagens de "pêsames". Fatos como esse mais o treinamento isolado na pequena localidade de Kimberley, no norte da África do Sul, empurraram a Celeste.

"Não nos sentimos subestimados. É que as projeções levam em conta os antecedentes, e os nossos antecedentes são históricos, muito distantes. Pode ser que tenhamos surpreendido. Se não tivéssemos o sonho, não teríamos chegado aqui. Para nós, o Mundial é uma festa, a eliminatória era um suplício. A estadia em Kimberley foi muito importante e quase não fizemos amistosos, porque queríamos jogadores descansados, recuperados, eu os conhecia e não precisava ver nada para tirar conclusões. Ficamos longe do barulho do Mundial, nos sentimos em casa. Jogamos o Mundial sem dar conta do que era o Mundial. Esse barulho, esse movimento de agora, não tínhamos", disse, revelando certa preocupação.

O treino do Uruguai na Cidade do Cabo nesta segunda-feira foi aberto somente por 15 minutos para os jornalistas e foi, disparada, a sessão com maior assédio desde o início da Copa. Os uruguaios, escondidos por tanto tempo, agora estão no centro das atenções. E quer mais.

"Havia 40 anos que não chegávamos tão longe, as crianças, os jovens, nunca haviam visto uma coisa como essa. Em um momento em que não se acreditava em quase nada. Estamos em uma festa a qual não fomos convidados e temos direito de continuar nela. Depende de nós, o resultado não está escrito. Vamos analisar o rival, limitar seus pontos fortes, fazer alguma jogada sobre suas carências. Ganhamos até agora porque deixamos no campo um pouquinho mais do que os adversários. Sabemos que temos que fazer uma partida perfeita, mas isso também é possível", afirmou um esperançoso Tabárez.

"Qualquer um desses três que chegaram são equipes com muita posse de bola. A Alemanha surpreendendo um pouco, é uma versão nova, que coloca uma pressão futebolística que é a melhor que se pôde ver nesse Mundial. Os três são superiores a nosso time em relação a posse de bola. Talvez assumindo que somos mais fracos, há na história do futebol formas de se enfrentar esses times. Seria uma surpresa enorme, mas permitam que nós acreditemos nisso."

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