
Crédito da imagem: Reuters
E aí veio a surpresa. Van Marwijk revelou que já teve seus momentos "idiotas" como treinador. "Já fiz pior. Uma vez chutei um painel publicitário, com os nomes dos patrocinadores. Eu tenho minhas emoções, sim. Mas é importante manter uma visão geral e não deixar os jogadores confusos. Também posso ser muito calmo, como estou agora", brincou.
O treinador holandês adota uma postura diante da imprensa internacional que transmite muita confiança, firmeza e a certeza de um homem que sabe o que está fazendo. Antes do jogo do Brasil, depois da vitória e agora, na véspera da semifinal contra o Uruguai, ele não cansa de repetir: sua missão é convencer os jogadores da Holanda de que o próximo jogo é o que interessa. E não o último.
"Não posso mudar uma cultura, mas tenho trabalhado duro para criar algo nesse grupo de jogadores que os faça entender que temos que sempre nos concentrar no próximo jogo. Tendemos a ficar arrogantes durante a competição. Os jogadores entenderam isso. Esse é o foco da preparação para o jogo do Uruguai."
O técnico se refere a Mundiais passados em que a Holanda começou bem, cresceu e depois, segundo ele tomada por uma inevitável arrogância, acabou caindo e ficando sem o título.
Van Marwijk ouviu hoje uma saraivada de perguntas sobre o passado da Holanda nas Copas e as opiniões emitidas por Johan Cruyff, o maior nome da história do futebol do país. Tentou sair de quase todas. E aproveitou para tecer elogios a duas escolas, a duas maneiras de jogar futebol, absolutamente antagônicas: a do Uruguai e a do Barcelona, hoje em dia arraigada na seleção espanhola.
"Em um dos nossos primeiros jogos, usei o Uruguai como exemplo. Olha a paixão que eles colocam em campo. Não é por nada que chegaram tão longe. Cada um tem que olhar para sua cultura, mas pode usar as outras como exemplo, sim", disse. Depois, questionado sobre a influência holandesa no Barcelona, emendou. "Dizer isso é um enorme elogio. Mas a verdade é que o futebol praticado pelo Barcelona e pela Espanha é hoje o mais bonito do mundo. Pode ser que tenhamos influenciado no passado. Mas hoje somos nós que olhamos para eles e tentamos nos espelhar."
O "futebol bonito" é tema tão recorrente nas entrevistas coms os holandeses quanto na seleção brasileira. Jornalistas internacionais questionam a maneira pragmática da atual seleção holandesa jogar. E Van Marwijk e o capitão Giovani van Bronckhorst não se cansam de repetir. O que vale, agora, é ser campeão.
"No passado, começamos bem, mas aí perdemos. Agora só faltam dois jogos, estamos muito perto. Temos confiança total em sermos campeões. Temos um time que sempre tenta jogar bonito, mas às vezes não dá, está cada vez mais difícil. Se ganharmos jogando bonito, ótimo, se ganharmos de outro jeito, está bom", cravou Van Bronckhosrt.
"Tem muita gente tem opinião, são muitas palavras diferentes, mas não vou ser distraído por ninguém nessa hora. Na fase de grupos, éramos os favoritos. Contra o Brasil, era o contrário. Não quero ser distraído também pelo fato de as pessoas acharem que somos favoritos. Não quero nem ouvir em falar sobre a final e contra quem vamos jogar ou o que seja. Respeito demais o Uruguai e o que importa agora é fazer o nosso jogo, impor nosso estilo e ganhar a partida", cravou o técnico.









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