domingo, julho 04, 2010

Herança: Dunga não renovou a Seleção

Fabrice Coffrini, AFP

Dunga não deu chances para os novos talentos se firmarem




A Era Dunga terminou e os dois objetivos traçados para este período de quatro anos (Copa do Mundo e Olimpíada) restaram fracassados.

Que faltou talento ao Brasil na Copa por uma questão conceitual do técnico, sempre decidido a privilegiar a disciplina em detrimento do talento — poderia ter os dois juntos, como aliados, mas não quis —, todos agora concordam. Mas e o futuro, como fica?

Este talvez seja o legado mais preocupante que o técnico demissionário deixa para o sucessor: será preciso empreender uma renovação radical até o Mundial no Brasil. E isso nem sempre é travessia serena, com resultados capazes de manter o escolhido para a função até o porto seguro.

Lúcio, Juan, Gilberto Silva, Elano, Gilberto, Josué, Felipe Melo, Júlio Batista, Luisão, Grafite. Nenhum destes estará em 2014. Luís Fabiano e Elano terão 33 anos. Kaká e Maicon, 32. São jogadores que centram o seu futebol no fôlego e força física. Serão os mesmos daqui a quatro anos? Ronaldinho terá 34 anos, assim como Adriano. Não serão exatamente jovens para o futebol.

Dunga não renovou a Seleção. Não deu chances para os novos talentos se firmarem. Sempre disse que o objetivo era o resultado, pois sem eles nem chegaria até a África do Sul. Então, foi de Gilberto Silva até o fim, por exemplo.

Este é a questão mais grave. O futuro treinador terá que partir do zero. Quase nada ficou de substancial da Era Dunga em termos de composição de grupo. A zaga e o meio-campo terão que praticamente nascerem do zero. Não vai ser fácil. A herança não é das melhores.

Aplaudido em Porto Alegre, Dunga cogita permanência na Seleção

"Um pedaço de nós fica na África do Sul", diz técnico

Após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo na última sexta, Dunga chegou a Porto Alegre por volta das 11h30min deste domingo, acompanhado pelo preparador físico Paulo Paixão. Após desembarcar em um voo fretado que fez escala em Florianópolis, devido ao fechamento do Aeroporto Salgado Filho durante boa parte da manhã, o técnico da Seleção Brasileira foi recebido por amigos e por cerca de 50 torcedores. Muito requisitado para cumprimentos e fotos, chegou até a ser aplaudido.

Diferentemente do que falou durante toda a Copa, de que o Mundial seria o ponto final da sua passagem pela Seleção, Dunga cogitou continuar o trabalho. Em rápida entrevista no aeroporto, revelou que vai se reunir com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para definir o futuro.

— Vou descansar, e daqui a uma semana ou duas, quando o presidente voltar da África, vamos conversar. Vai depender do que ele conversar conosco. Trabalhei com jogadores de excelente nível, perdemos somente seis partidas, fomos campeões da Copa América. Quando a equipe começou a se acertar na Copa, tivemos essa fatalidade — lamentou.


Dunga considerou positivo o trabalho, lamentou os desfalques de Elano e Ramires na partida contra a Holanda e deu uma declaração forte sobre o sentimento após a derrota para a Holanda:


(Dunga chega em casa. Foto: Carlos Edler)

— A sensação é de que um pedaço de nós ficou na África do Sul. As coisas estavam correndo bem, mas o futebol é assim. Pelo primeiro tempo que o Brasil tinha jogado, parecia que íamos passar. Na bola parada, que era um dos nosso fortes, acabamos sofrendo o gol. Mas a população viu o nosso trabalho. Tínhamos projetado resgatar esse amor à Seleção Brasileira, formar uma Seleção parecida com o povo, trabalhadora. Em alguns momentos, tivemos que ser mais duros, porque era necessário para proteger a Seleção.

Tranquilo, o treinador descartou guardar qualquer mágoa após três anos e meio no cargo.

— É um trabalho que deve ser mantido para a Seleção. Não tenho mágoa de forma nenhuma. Gostaríamos de ir mais à frente, mas temos que saber perder e saber ganhar. Outras vezes sorrimos e outros choraram, esta é a nossa vez de ir às lágrimas.

Zero Hora

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