quarta-feira, julho 07, 2010

Em meio à polêmica sobre Ballack, Alemanha tenta revanche contra a Espanha

David Villa, da Espanha, e Miroslav Klose, da Alemanha: duelo de  artilheiros em Durban

David Villa, da Espanha, e Miroslav Klose, da Alemanha: duelo de artilheiros em Durban
Crédito da imagem: Reprodução

por ESPN.com.br


Talvez seja a partida mais aguardada da Copa do Mundo da África do Sul até aqui. Na reedição da final da Eurocopa de 2008, Alemanha e Espanha entram em campo no Estádio Moses Mabhida, em Durban, às 15h30 (horário de Brasília) brigando pela outra vaga na decisão do Mundial diante da Holanda, que despachou o Uruguai na terça-feira.

O futebol encantador, técnico e de rápidos contra-ataques da seleção comandada pelo técnico Joachim Löw é a grande sensação da Copa do Mundo, superando a Espanha, apontada antes do início do Mundial como a mais forte candidata a apresentar o “futebol-arte” pela qualidade técnica de seus jogadores. Mas é fora de campo que os alemães encaram um adversário inesperado: a polêmica envolvendo o meia Michael Ballack, que sequer está disputando a competição.

Ballack, até então capitão do time de Löw, sofreu uma grave lesão nos ligamentos do tornozelo direito às vésperas do início da Copa, em uma partida de seu time, o Chelsea, contra o Portsmouth, pela final da Copa da Inglaterra. Na ocasião, o alemão recebeu uma dura entrada do ganês Kevin-Prince Boateng e teve de ser cortado da lista de convocados para o Mundial.

Após o baque inicial por perder seu capitão e até então considerado melhor jogador, a seleção da Alemanha encontrou soluções em seu próprio elenco. Com um futebol eficiente e vistoso, Joachim Löw formou um fortíssimo meio-de-campo com jogadores como Khedira, Özil e Schweinsteiger, que conduziram os tricampeões do mundo a goleadas históricas como os 4 a 1 sobre a Inglaterra (pelas oitavas de final) e os 4 a 0 contra a Argentina (quartas). Ballack não fez falta à equipe.

Philipp Lahm, Michael Ballack e o técnico Joachim Löw: polêmica  sobre a tarja de capitão da Alemanha
Philipp Lahm, Michael Ballack e o técnico Joachim Löw: polêmica sobre a tarja de capitão da Alemanha
Crédito da imagem: AFP


Por conta do ótimo momento da Alemanha, a polêmica a respeito da faixa de capitão e do próprio aproveitamento de Ballack no time titular após a Copa do Mundo foi inevitável. Capitão do tricampeonato mundial do time em 1990, na Itália, o ex-craque Lothar Matthäus disse publicamente que Ballack “deveria se aposentar da seleção”.

“Eu acho que o time joga melhor sem ele”, disparou. Sobre o novo capitão do time, Matthäus foi enfático: “Outros jogadores já assumiram essa liderança, há novas hierarquias. Ele tem que renunciar.” Questionado sobre as declarações do ex-jogador, Ballack preferiu não alimentar a polêmica: “Eu não quero falar sobre isso”, minimizou.

O problema é que o capitão da Alemanha na África do Sul, o lateral Philipp Lahm, também se manifestou publicamente e admitiu que não pretende entregar tão cedo a faixa de capitão, que lhe caiu muito bem na Copa. Nesta quarta-feira, em artigo publicado no diário Bild, o maior jogador da história do futebol alemão, o “kaiser” Franz Beckenbauer, também sinalizou que Ballack poderia perder a tarja após o Mundial.

“Essa discussão vem em má hora. Precisamos de Michel Ballack depois da Copa? Sim. Desde que ele esteja com 100% de suas condições e em boa forma. Se ele será o capitão ou não, isso não é importante”, escreveu Beckenbauer, que ainda sugeriu que Lahm ou o jovem Schweinsteiger assumissem esse posto.

Dentro de campo, o técnico Joachim Löw espera que os jogadores não sejam afetados pela polêmica envolvendo o antigo capitão e se concentrem para conseguir a revanche da final da Eurocopa de 2008. Na ocasião, os espanhóis levaram a melhor e venceram por 1 a 0, gol de Fernando Torres.

Para o compromisso desta quarta-feira, Löw não poderá contar com o atacante Thomas Müller, um dos principais destaques do Mundial, que está suspenso. Para o seu lugar, o treinador deve escalar Piotr Troshowski ou Toni Kroos no meio-de-campo e passar Lukas Podolski para o ataque, ao lado de Miroslav Klose. Este último, por sua vez, tem a motivação de tentar igualar ou até mesmo superar o recorde de gols do brasileiro Ronaldo, o maior artilheiro da história das Copas com 15 gols. Klose tem 14.

Fábregas não deve jogar na Espanha

Na Espanha, o técnico Vicente del Bosque não deverá contar com o meio-campista Cesc Fábregas. Ao contrário do que o próprio treinador havia dito na última terça-feira, quando apostou na presença do meia contra a Alemanha e disse que o jogador aparentava estar recuperado e havia treinado “muito bem”, a tendência é de que Fábregas não comece jogando.

Fábregas sentiu a lesão no ombro após um choque com o goleiro Justo Villar, do Paraguai, no duelo das quartas de final (vitória da “Fúria” por 1 a 0). Um exame de raio-x revelou que o meia não sofreu nenhuma fratura no local, o que havia deixado Del Bosque um pouco mais otimista. Mas, segundo os jornais The Guardian e El Pais, o meia voltou a sentir fortes dores na última noite e deve ser poupado pelo menos de começar jogando.

Com isso, o atacante Fernando Torres, autor do gol do título europeu em 2008 e que vem sendo muito questionado por suas más atuações na África do Sul, deve ganhar mais uma chance no ataque espanhol. Ataque cuja principal esperança é mesmo David Villa, artilheiro da Copa e autor de cinco dos seis gols da Espanha no torneio.

Alemães e espanhóis chegam com campanhas semelhantes à semifinal de logo mais. Em cinco partidas, a Alemanha tem quatro vitórias e uma derrota (perdeu da Sérvia por 1 a 0 na segunda rodada da primeira fase), enquanto a Espanha também tem quatro triunfos e um revés (1 a 0 para a Suíça, logo na estreia).

FICHA TÉCNICA
ALEMANHA X ESPANHA

Local: Estádio Moses Madhiba, em Durban (África do Sul)
Data: 07/07/2010 (quarta-feira)
Horário: 15h30 (de Brasília)
Árbitro: Viktor Kassai (HUN)
Auxiliares: Rafael Ilyasov (HUN) e Bajadyr Kochkarov (HUN)

ALEMANHA: Neuer, Lahm, Mertesacker, Friedrich e Boateng; Khedira, Schweinsteiger, Trochowski (Toni Kroos) e Özil; Podolski e Klose.
Técnico: Joachim Löw.

ESPANHA: Casillas, Sergio Ramos, Puyol, Pique e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta; David Villa e Fernando Torres.
Técnico: Vicente del Bosque.

Nenhum comentário: