quarta-feira, julho 07, 2010

Ano sul-americano? Europa despacha latinos pela segunda Copa seguida

Gargano disputa com o holandês Mark van Bommel  nos 3 a 2 da  Holanda sobre o Uruguai

Gargano disputa com o holandês Mark van Bommel nos 3 a 2 da Holanda sobre o Uruguai

por Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, de Durban, África do Sul


França e Itália, finalistas do último Mundial, ficaram pelo caminho na primeira fase da Copa 2010. E os cinco representantes da América do Sul passaram às oitavas-de-final, em ótimo desempenho. Foi a senha para que previsões otimistas sob o ponto de vista sul-americano se multiplicassem. Pouco tempo bastou para mostrar que aquele era um retrato que distorcia a realidade.

As seis seleções europeias classificadas para a segunda fase curiosamente caíram em confrontos entre elas. Já os cinco times da América do Sul protagonizaram um duelo doméstico e outros três confrontos com equipes de outros centros não tão desenvolvidos do futebol, como a Ásia e as Américas do Norte e Central. Era evidente que os vizinhos do Brasil tinham missões mais fáceis.

Assim, com a garantia de que três seleções europeias passariam às quartas, chegaram a tal fase as melhores. A Holanda eliminou a Eslováquia, a Alemanha atropelou a Inglaterra e a Espanha passou por Portugal. Os sul-americanos foram bem. Deu Brasil na disputa continental com o Chile, a Argentina venceu o México, o Uruguai bateu a Coreia do Sul e o Paraguai superou o Japão.

Então vierem os confrontos entre os três europeus sobreviventes e os sul-americanos, derrotados em todos: Holanda 2 x 1 Brasil, Argentina 0 x 4 Alemanha e Espanha 1 x 0 Paraguai. Só o Uruguai sobreviveu entre os times das Américas, mas passando por uma seleção africana, Gana, nos pênaltis após Gyan perder a penalidade que classificaria seu país no tempo normal.

A Celeste, única da América do Sul nas semifinais, caiu diante dos holandeses, 2 a 3. Sim, é verdade que o time chutou mais ao gol (12 x 11) e fez menos faltas (15 x 16). Também é fato que Van Persie participou do tento de Sneijder, que poderia ser interpretado como irregular. Mas foi apenas uma jogada polêmica, que não se compara ao gol não validado de Lampard, por exemplo.

Os uruguaios se superaram, poderiam até ter arrancado heroicamente a vaga, mas chegaram entre os quatro melhores enfrentando apenas um europeu, a França no empate sem gols na estreia. A sorte foi bem generosa ao lhes oferecer rivais como Coreia do Sul e Gana, enquanto os vizinhos caíam diante de holandeses, alemães e espanhóis. O Uruguai foi longe, parabéns!

E um fato inconstestável desta Copa: tirando o Chile, deletado do certame pelo Brasil, todos os sul-americanos foram desclassificados por europeus. E não é uma novidade. Em 2006 os franceses tiraram os brasileiros, os alemães despacharam argentinos, os equatorianos caíam diante dos ingleses e os paraguaios não passaram da primeira fase, atrás de Suécia e Inglaterra no grupo.

Então vamos com calma, antes de definir uma aparente superioridade de times sul-americanos em fases iniciais. Heroismo e superação da guerreira seleção Celeste à parte, as equipes da Europa seguem levando a melhor diante de equipes da América do Sul. Pela segunda Copa seguida. E o campeão de 2010 será, inevitavelmente, um representante do Velho Mundo.

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