Na estreia argentina na Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010, diante da Nigéria, ficaram faltando mais gols. O time teve momentos brilhantes, o camisa 10 Lionel Messi fez uma excelente partida e, no final das contas, a vitória por 1 a 0 valeu para o que mais importava: começar com três pontos.


Nesta quinta-feira, diante da Coreia do Sul, não faltaram momentos brilhantes, como não faltou uma grande atuação de Messi. A diferença é que também não faltaram mais gols: o time dirigido por Diego Armando Maradona marcou 4 a 1 no Soccer City de Johanesburgo, com direito a três gols de Gonzalo Higuaín, e ficou a um passo de assegurar sua vaga nas oitavas de final do Mundial. A única coisa que continua faltando é um gol para coroar Messi – que mais uma vez teve excelente atuação.



A Albiceleste fecha sua participação na primeira fase em Polokwane, no próximo dia 22, quando encara a Grécia. Já os sul-coreanos têm pela frente os nigerianos, no mesmo dia, em Durban.


Trio de ferro
Os relances de bom futebol que os argentinos mostraram na estreia diante da Nigéria apareceram com mais ênfase desde o princípio. Com Carlos Tévez se movimentando como nunca e Lionel Messi em mais um dia inspirado de arrancadas e jogadas de perigo, não demorou muito para que a Argentina tomasse controle do jogo.



Quando a bola já não saía da intermediária defensiva sul-coreana e o domínio dos sul-americanos era absoluto, saiu o primeiro gol numa jogada que já começa a se tornar marca registrada da equipe de Diego Armando Maradona: os cruzamentos à área em bola parada. A diferença com o primeiro jogo – quando Garbiel Heinze marcou um gol assim – foi que sequer foi necessário que algum argentino se antecipasse à defesa. O centroavante Park Chu-Young, num lance de infelicidade, viu o centro de Lionel Messi desviar em sua canela e bater o goleiro Jung Sung-Ryong.



Aos 33, outra bola aérea e mais um gol argentino: cruzamento de Maxi Rodríguez que, após o desvio de Nicolás Burdisso – que acabara de entrar em campo no lugar de Walter Samuel, lesionado -, Gonzalo Higuaín, de cabeça, marcou seu primeiro gol do Mundial.



A Argentina jogava bem e dominava, e Messi quase marcou um daqueles seus gols aos quais a torcida do Barcelona está tão acostumada, quando, aos 44 minutos, driblou dos sul-coreanos, chegou até a entrada da área e tentou o chute colocado, por cobertura, que passou triscando a trave esquerda.


O jogo parecia decidido. Se os argentinos fossem para o intervalo com vantagem de dois gols, e considerando a dificuldade que a Coreia do Sul vinha tendo para se aproximar da meta de Sérgio Romero, era difícil pensar numa virada. Mas, já nos acréscimos, uma jogada aparentemente fortuita acabou dando uma cara nova ao jogo. Um chutão do goleiro Jung Sung-Ryong foi desviado de cabeça. A bola sobrou fácil para o domínio de Martín Demichelis na entrada da área, mas o zagueiro argentino do Bayern de Munique vacilou, errou o domínio e deixou a bola à mercê de Lee Chung-Yong, que só teve o trabalho de tocar na saída de Romero.


Para acabar
Foi aquele gol que permitiu a situação um pouco mais equilibrada no início da segunda etapa. Embora os argentinos continuassem perigosos e com mais posse de bola, a Coreia do Sul passou a acreditar mais na possibilidade de buscar o empate – e , para isso, teve até algumas boas chances; a maior delas com Yeo Kim-Hun, que entrou na área pelo lado direito e bateu na rede pelo lado de fora.



Mas a Argentina tinha Messi. E, como foi ficando cada vez mais claro, também Higuaín. Aos 31 minutos da segunda parte, Lio arrancou pela esquerda para dentro da área e bateu cruzado. O goleiro Jung Sung-Ryong fez uma boa defesa com os pés, e o próprio craque do Barça pegou o rebote. Desta vez, acertou a trave – que tratou de rebater a bola quase em cima da linha para Higuaín, sozinho.



Para não haver dúvida de que a missão estava liquidada, Messi ainda começou mais uma jogada linda que terminou em mais um gol de Higuaín: o Pulga enganou todos os marcadores ao acertar um passe maravilhoso da meia-lua para o lado esquerdo da área, onde Sergio “Kun” Agüero foi esperto e rapidamente levantou a bola, de primeira, para a cabeçada de Higuaín na pequena área. Tinha virado goleada. A Argentina mais uma vez mostrou suas armas. E desta vez com um placar que esteve de acordo com elas.