sexta-feira, junho 18, 2010

Diferenças entre Brasil, Argentina e França passam pelo ambiente

Domenech se perdeu em meio às crises de relacionamento num elenco  de ambiente apodrecido

por Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, de Johanesburgo, África do Sul



O fiasco da França na Copa do Mundo apenas confirma aquilo que há tempos se comenta: o ambiente entre os jogadores está podre, há panelas, grupelhos, gente que não se fala e um técnico em rota de colisão constante com vários atletas. Não poderia ser diferente o desfecho que se anuncia, com a virtual eliminação dos vice-campeões mundiais ainda na primeira fase do certame.


Raymond Domenech não convocou Samir Nasri e Karim Benzema, barrou Yoann Gourcuff em meio ao Mundial, não deu a chance (pedida por muitos) a Thierry Henry e insistiu no questionado Sidney Govou. Durante o intervalo do jogo com o México, voltou ao banco de reservas cerca de quatro minutos antes dos atletas, e lá ficou solitário. Um momento que resumia a situação dos Bleus.


Domenech e o banco de reservas: solitário e derrotado
Horas antes, a Argentina vencia de forma convincente a Coreia do Sul. Não foi mais fácil devido à lambança de Martín Demichelis no instante final da primeira etapa. A albiceleste iria para o descanso com dois gols de frente e, repentinamente, se viu com a vantagem mínima. Levou um susto em contra-ataque asiático que poderia resultar num injusto empate, mas deslanchou e goleou.


Maradona vai, pouco a pouco, surpreendendo e montando um time  poderoso

Maradona, independentemente de sua postura performática à beira das quatro linhas, parece ter o controle do grupo. Os jogadores demonstram gostar do técnico que a AFA praticamente inventou (ele teve pequenas experiências anteriores no comando). O desafio ainda é a defesa. Sem Jonás Gutiérrez, suspenso, Diego poderá esquecer sua criação (colocá-lo na lateral) e ajustar o setor.


Maradona vai, pouco a pouco, surpreendendo e montando um time
O eterno diez argentino e Dunga têm esse ponto em comum, cada um à sua maneira. Por mais questionável que seja a clausura imposta ao técnico da CBF, os jogadores se apresentam sempre alegres, o ambiente parece muito bom. No jogo contra a Coreia do Norte, nas substituições e comemorações de gols, os atletas de amarelo pareciam de fato muito unidos.


Isso é mérito do treinador, claro. Podemos (e devemos) questionar a opção pelo pragmagtismo, pelo comportamento cordato da maioria no lugar do talento rebelde, que sob um comando de verdade pode ser controlado. Mas de um jeito ou de outro, Dunga tem a rapaziada ao seu lado, isso está claro. E é aí, e só aí mesmo, que ele e Maradona se aproximam.


Domenech não soube, e pelo jeito nem tentou, trazer o grupo francês para o seu lado. Desperdiçou bons valores, priorizou jogadores fracos, quando foi ao banco apelou para o limitado André-Pierre Gignac e jogou na fogueira o pequenino Mathieu Valbuena. Um desastre. Ter o grupo ao lado, "nas mãos", como dizem os boleiros, é preciso. Mas não basta. Certo Dunga? Certo Maradona?

Dunga em meio aos jogadores, à sua moda parece ter um ambiente  positivo


Dunga em meio aos jogadores: à sua moda parece ter formado um ambiente bem positivo

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