quarta-feira, junho 16, 2010

Copa sem gols amarga a pior média da história, com apenas 1,56 por jogo

Reprodução / site oficial da Fifa

Foto: Reprodução / site oficial da Fifa

Jabulani só foi para o fundo da rede 25 vezes na África do Sul; nenhum outro Mundial teve menos de dois gols por partida na primeira rodada

Do GloboEsporte.com


Crucificada como vilã às vésperas da Copa, a arisca Jabulani parecia destinada a deixar os goleiros na saudade e virar frequentadora assídua do fundo das redes nos estádios da África do Sul. Até agora, no entanto, ela quase não esteve por lá. Ao fim da primeira rodada, a média de gols deste Mundial – 1,56 – é simplesmente a pior de todos os tempos.


E nem adianta colocar a culpa na tensão da estreia. Levando em conta apenas a primeira rodada de Copas anteriores, a de 2010 não consegue sequer incomodar as rivais: a segunda média mais baixa na história é de 2,0, nos Mundiais de 1962, 1974 e 1986. As maiores são as de 1934, com 5,14, e 1938, com 5,0. A Copa de 1990, na Itália, que amarga a pior média de gols no geral (2,21), marcou 2,25 em sua rodada de abertura.


Nas 16 partidas disputadas até agora na África do Sul, a Jabulani foi morrer na rede apenas 25 vezes. E a Alemanha foi a única seleção a fazer mais de dois gols, no convincente 4 a 0 sobre a Austrália. A explicação para tanta seca?


- O que eu vejo como motivo principal é o baixo nível técnico das seleções. Com exceção da Alemanha, que goleou, e da Argentina, que teve bons momentos, as demais equipes me decepcionaram. Não tivemos nenhum grande jogo até agora – analisa o ex-jogador Caio Ribeiro, comentarista da TV Globo.


A Alemanha, por sinal, manteve a tradição de colaborar para subir a média de gols na estreia. A seleção europeia fez 4 a 3 na Costa Rica em 2006, jogando em casa, e carimbou um inapelável 8 a 0 sobre a Arábia Saudita em 2002. Na última Copa, que teve média de 2,44 gols na rodada de abertura, outras quatro equipes além da Alemanha conseguiram passar de três gols na estreia: México (3 a 1 no Irã), Austrália (3 a 1 no Japão), República Tcheca (3 a 0 nos EUA) e Espanha (4 a 0 na Ucrânia).


A África do Sul, por enquanto, assiste a um festival de vitórias pelo placar mínimo – foram seis 1 a 0 até agora, além de quatro empates em 1 a 1. Uruguai, França, Portugal e Costa do Marfim viram seus jogos ficando no 0 a 0.


André Rocha, autor do blog “Olho Tático”, acha que os treinadores também têm culpa no cartório.


- A filosofia deles é cada vez mais focada no resultado. Os times preferem não arriscar e avançar com toques de lado até levantar a bola na área ou chegar ao jogador mais talentoso para que ele resolva. E defensivamente a busca é pelo encaixe da marcação, para minimizar as chances de falha. O lema é: risco zero, acerto máximo, ainda que sem criatividade e coragem – opina André, que cita ainda a tensão da estreia, o cansaço e o fato de as seleções terem cada vez mais informações sobre os adversários.


Caio Ribeiro concorda com a análise:


- Todos estão preocupados em não perder. Há muitos times que fizeram uma ótima eliminatória, mas, quando conseguem abrir o placar, se fecham para não sofrer gols – avalia.


A média minguada de 2010 tem ainda um agravante: as Copas só passaram a ter 32 seleções em 1998. Antes disso, com 24 ou 16, havia menos times de nível baixo, o que teoricamente dificultava os placares elásticos.


Goleadas na estreia, contudo, nunca foram recorrentes. De 1970 para cá, a média na primeira rodada é de apenas uma vitória com mais de quatro gols marcados. Algumas se destacam, como o já citado 8 a 0 da Alemanha e o 10 a 1 da Hungria sobre El Salvador em 1982.


O Brasil, único país que disputou todos os 19 Mundiais, só passou em branco na estreia uma vez, em 1974, no 0 a 0 com a Iugoslávia. O maior festival de gols foi na abertura em 1938, com 6 a 5 sobre a Polônia. A média verde-amarela para abrir a Copa é de 2.2 gols.


As piores médias de gols nas primeiras rodadas das Copas

2010 - África do Sul 1,56
1986 - México 2,00
1974 - Alemanha 2,00
1962 - Chile 2,00
1990 - Itália 2,25
1998 - França 2,30
2006 - Alemanha 2,44
1994 - EUA 2,50
1970 - México 2,50
1966 - Inglaterra 2,50
1978 - Argentina 2,75
1982 - Espanha 2,83
2002 - Japão/Coreia 2,87
1930 - Uruguai 3,00
1958 - Suécia 3,60
1950 - Brasil 4,00
1954 - Suíça 4,25
1938 - França 5,00
1934 - Itália 5,14

Um comentário:

sala disse...

A média foi de 2,87 gols em 2002 e 2,43 em 2006. Alguém realmente acha que o nível técnico caiu tanto assim de lá pra cá? Ou que a filosofia de jogo ficou tão mais defensiva? Na minha opinião, a culpa é dessa JABULANI horrorosa, assassina de jogadas. Só quem é craque aprende a jogar com uma bola tão diferente em 2 semanas. Detalhe q a liga alemã usou ela na última temporada, o q justifica em parte o desempenho da Alemanha.