sexta-feira, junho 11, 2010

Com vuvuzelas, África do Sul abre Copa contra o México e já vive sua 'decisão'

por Thiago Arantes, de Johanesburgo (África do Sul), para o ESPN.com.br


A partida entre África do Sul e México, às 11h desta sexta-feira (horário de Brasília), é apenas a primeira da Copa do Mundo de 2010. Mas não é exagero nenhum afirmar que o jogo do Soccer City, em Johanesburgo, é encarado como uma decisão. Para os sul-africanos, a partida é a chance de viver ainda mais intensamente um sonho: o de superar a primeira fase do Mundial. Já os mexicanos veem o jogo como o possível início de uma grande caminhada para aquela que é considerada a mais talentosa seleção montada pelo pais.


Durante toda a semana, sul-africanos e mexicanos pintaram as ruas de Johanesburgo. As duas torcidas tocaram vuvuzelas juntas e deram as mãos na expectativa do apito inicial. Mas quando a bola rolar diante de um estádio com 85 mil pessoas, as duas torcidas estarão em lados opostos. E, pelo que se viu nas declarações do treinador Carlos Alberto Parreira e do presidente sul-africano, Jacob Zuma, o clima amistoso ficará de lado.


"Estamos prontos pra a guerra", disse Zuma na quarta-feira, durante encontro com os jogadores da seleção. Na quinta, Parreira repetiu o discurso em entrevista coletiva. Foi rebatido logo depois pelo técnico mexicano Javier Aguirre: "Não gosto desse tipo de comparação bélica. No futebol são 11 contra 11 e um árbitro no meio", disse.


Goste Aguirre dos termos bélicos ou não, fato é que o México tem muitas armas para a estreia, sobretudo no ataque. Os rápidos Carlos Vela e Giovani dos Santos jogam abertos pelas pontas, com Guillermo Franco de referência no setor ofensivo. Na defesa, Rafa Marquez - do Barcelona - comanda as ações. Segundo o técnico Javier Aguirre, a equipe tem pelo menos duas outras características que podem ser decisivas no confronto. "Nosso time é muito experiente e não deve sentir a pressão da estreia em um Mundial. Além disso, é uma equipe que está junta há 60 dias, e agora está no ponto que eu quero", afirmou o treinador.

Torcida sul-africana promete infernizar os rivais com o som das  vuvuzelas

Torcida sul-africana promete infernizar os rivais com o som das vuvuzelas
Crédito da imagem: Reuters

Do lado sul-africano, Carlos Alberto Parreira vai para a batalha com todo o apoio da torcida e suas vuvuzelas e apenas um atacante, Katlego Mphela, que ganhou a vaga do ídolo Benny McCarthy, fora de forma. Steve Pienaar, um dos destaques do Everton na temporada, é o coração da equipe e tem como ponto forte as investidas pelas laterais, com Gaxa e Masilela. No meio, os dribladores Tshabalala e Modise avançam como pontas, o que torna o time forte nos contra-ataques.


As duas equipes chegam ao confronto com um ótimo retrospecto nos últimos jogos. Os mexicanos venceram oito partidas neste ano, empataram duas e perderam duas, para Holanda e Inglaterra. Entre os resultados positivos está o 2 a 1 diante da Itália, na ultima quinta-feira, em Bruxelas, na Bélgica.


Os sul-africanos chegam ao Mundial com resultados ainda melhores. Desde que Carlos Alberto Parreira reassumiu o comando da seleção, em outubro de 2009, os Bafana Bafana não perderam mais: foram seis empates e seis vitorias - a última sobre a Dinamarca, no sábado, em Pretória. A sequência é a segunda melhor da historia do país, perdendo apenas para os 15 jogos invictos da chamada 'geração de ouro' de 1995 e 1996.


Não bastassem todos os ingredientes da partida, Carlos Alberto Parreira ainda tem um recorde e uma escrita individuais para motivá-lo. O recorde: será o primeiro treinador a participar de seis Copas do MUndo. A escrita: jamais venceu uma partida com uma seleção estrangeira - foi assim com o Kuwait em 1982, com os Emirados Árabes em 1990 e com a Arábia Saudita em 1998. Comandando a seleção brasileira, foi campeão em 1994 e caiu nas quartas de final no Mundial da Alemanha, em 2006.


No comando dos sul-africanos, Parreira tem pela frente o grande desafio de sua carreira. Do outro lado encontrará um adversário que fala em fazer história neste Mundial. O primeiro jogo da Copa pode até não ter um campeão mundial, como nas edições anteriores. Mas tem elementos de sobra para voltar os olhos de milhões de pessoas para o primeiro grande evento em um continente que o mundo esqueceu.


FICHA TÉCNICA
ÁFRICA DO SUL X MÉXICO

Grupo A
Estádio Soccer City, em Johanesburgo
11 de julho de 2010, 11horas (horário de Brasília)
Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB)


África do Sul: Khune; Gaxa, Khumalo, Mokoena e Thwala; Dikgacoi, Letsholonyane, Modise e Tshabalala; Pienaar; Mphela
Técnico: Carlos Alberto Parreira


México: Ochoa; Rafa Márquez, Francisco Rodríguez, Osorio e Salcido; Torrado, Castro e Guardado; Giovanni dos Santos, Vela e Guille Franco
Técnico: Javier Aguirre

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