terça-feira, março 30, 2010

A demissão de Leivinha

Aflitos // Depois da saída de quatro diretores, Náutico dispensa o auxiliar técnico que criticou decisão alegando falta de valorização aos profissionais da "casa"


O atrito com o superintendente remunerado de futebol timbu, Gustavo Mendes, custou o emprego de auxiliar técnico do Náutico a José Edson Marcelino de Oliveira, mais conhecido como Leivinha. Aguardada desde a saída dos diretores de futebol Sérgio Lins, Eduardo Loyo, Gustavo Rêgo e Renato Cunha Lima, ocorrida sábado, após o jogo do Náutico contra a Cabense, a demissão foi anunciada ontem e deixou o profissional surpreso e cabisbaixo. "Infelizmente, o pessoal da casa não tem o devido valor por aqui. Valorizam mais as pessoas de fora. Não entendi a atitude", lamentou.



Leivinha deseja seguir carreira como treinador e não mais como auxiliar técnico como estava no Alvirrubro
A suposta perseguição de Gustavo Mendes começou com a insatisfação de Leivinha por receber apenas 50% da gratificação pelas vitórias (o popular "bicho") - montante repartido, inclusive, com alguns dirigentes, ao contrário do habitual. O ex-auxiliar técnico externou o problema aos antigos diretores de futebol. Consequentemente, a notícia chegou aos ouvidos do superintendente, gerando o mal estar. O estopim - ou, quem sabe, a oportunidade - para a dispensa teria surgido com o fato de Leivinha não ter ido a Araripina para observar o jogo contra o Porto, domingo retrasado, quando ocorreu o Clássico das Emoções - o Bode era o próximo adversário dos alvirrubros.



"Ele (Gustavo) mandou eu resolver a questão da viagem com o gerente de futebol (Vulpian Novaes). Mas não se chegou ao acordo de viabilizar a ida a Araripina, devido aos custos. Então, pedimos para um profissional filmar a partida", explicou. A medida tende a trazer insatisfação entre a maior parte da torcida alvirrubra. Os apelos do público para a valorização da prata-da-casa são constantes. O zagueiro Diego Bispo e o volante Nílson, apesar das atuações convincentes, só costumam ser acionados por desfalque de outros jogadores. No único duelo deste ano sob o comando de Leivinha, o grupo ganhou titularidade.


O Diario chegou a falar com Mendes. O dirigente alegou estar jantando em Salvador e pediu para retornar a ligação após meia hora. A reportagem passou duas horas tentando o contato. Sem sucesso.


Leivinha assumiu o cargo de auxiliar técnico do time profissional em 2000. Três anos depois, teve a chance como treinador e conseguiu evitar o rebaixamento do clube à Série C do Brasileirão - quando assumiu, a quatro rodadas do final, venceu todos os jogos. Chateado por não ter sido efetivado durante o Estadual seguinte, deixou o clube. Em 2009, aceitou o convite para o retorno. "Quero seguir minha carreira como treinador. Não como auxiliar técnico", afirmou. Agora, Thiago Alves é o único assistente de Gallo.

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