domingo, março 21, 2010

Delírio Tricolor. E haja emoção!!!

De virada, o Santa Cruz fez 4x2 em cima do Náutico, jogando no Arruda. Brasão, o ídolo da torcida tricolor, fez dois gols na partida Imagem: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press


Santa vence Náutico no melhor jogo do ano em Pernambuco

A festa de quarta-feira passada ficou guardada para a noite deste domingo. Afinal, já era noite quando a torcida do Santa Cruz enfim pôde comemorar como há tempos não se via no Arruda. Dessa vez não teve essa de jogar melhor e tropeçar. A derrota para o Botafogo foi trocada pelo sentimento contagiante da vitória espetacular sobre o Náutico, no Clássico das Emoções desta tarde e noite. Um 4 x 2 de tirar o fôlego, com direito a 10 minutos eletrizantes na reta final. Quantas emoções foram vividas. Autor de dois golaços, o xodó Brasão mistificou ainda mais seu nome. Foi o herói corrompido. Fez a diferença, mas acabou expulso pelos excessos nas comemorações. O cartão vemelho, no entanto, foi mero detalhe. O resultado colocou o Santa na vice-liderança do Pernambucano, com 29 pontos, agora à frente do Náutico, em quarto com 28.

Foi o Santa Cruz quem esteve melhor posicionado desde os primeiros minutos. Não só taticamente. Também no plano individual, os tricolores pareciam mais à vontade. A opção de Dado Cavalcanti por Joelson se justificou pela boa movimentação do atacante. Através dele o Santa quase abriu o placar, aos 23 minutos, numa linda jogada individual. Mesmo de costas pro gol, Joelson deu um drible desconcertante no marcador e chutou forte no canto. Gustavo fez excelente defesa. Pela primeira vez, a massa coral suspirou no Arruda.

Jackson era outro homem aceso no setor ofensivo tricolor. Aos 29, o experiente camisa 10 obrigou Gustavo a fazer outra boa defesa num chute de fora da área. Mesmo com duas mexidas ainda na primeira etapa, saíram machucados Baiano e Leandro Cardoso, o Tricolor manteve o controle das ações.

Edson Miolo é sempre uma arma perigosa nas jogadas de bola parada. Aos 22, ele acertou o travessão numa cobrança de falta frontal. Vinte minutos depois, não teve jeito. Em outra cobrança, dessa vez diagonal, o chute saiu certeiro. Gustavo nada pôde fazer para impedir a explosão nas arquibancadas do Arruda. Era o primeiro gol tricolor. Com toda justiça, é bom que se diga.

Derley e Daniel produziram o único lance de perigo à meta de Tutti. Mas o chute de Derley foi pra fora. De resto, Carlinhos Bala e Bruno Meneghel ficaram isolados na frente. No meio, Zé Carlos foi mero espectador. O time alvirrubro limitou-se às improdutivas ligações diretas da defesa para o ataque.

O quadro só mudaria na volta do intervalo. A partir do início do segundo tempo, o Náutico teve outra postura. O jogo então ficou eletrizante nos 10 primeiros minutos. Foram dois chutes perigosos de Hamilton da entrada da área, que exigiram reflexo do goleiro Tutti. Além disso, Bala teve um gol acertadamente anulado. Do outro lado, o Santa esteve muito perto do segundo gol numa cabeçada de Joelson, após lindo conta-ataque puxado por Brasão e Jackson. Outra excelente intervenção do goleiro Gustavo.


O grande lance do jogo, porém, ainda estava por vir. Aos 17 minutos, o Arruda parou. Todos prenderam a respiração ao ver Brasão entrar cara a cara com Gustavo. Enquanto o arqueiro alvirrubro abandonava a meta para tentar diminuir o espaço, Brasão recebeu a benção dos grandes gênios do futebol. Iluminado, inspirado, fatal. O toque na bola saiu sutil, com extrema categoria. À la Romário nos velhos tempos. Golaço de tirar o chapéu. De pagar o ingresso. De deixar o goleiro coral estático, impotente. Na comemoração, se fez presente o marketing pessoal que lhe é peculiar. Beijos numa foto gigante da filha, além de um abraço emocionante no técnico Dado Cavalcanti. Esse pareceu bem espontâneo.


Parecia tudo resolvido. Mas era dia de Clássico das Emoções. Na reta final, em apenas 10 minutos, o jogo fez jus ao nome que carrega. Foram dois gols do Náutico em apenas dois minutos. Igor e Derley marcaram após duas boas jogadas de Zé Carlos pela esquerda. A festa agora era da pequena torcida alvirrubra. Era. Pouco depois, novamente Brasão fez a diferença. Outro golaço, uma comemoração explosiva e o cartão vermelho na sequência. Justamente por conta da extravagânciaq, até certo ponto compreensível. Jackson ainda teve tempo de completar a festa num Arruda enlouquecido, com outro golaço já nos acréscimos. Haja emoção. Ou melhor, emoções!


Santa Cruz 4

Tutti; Baiano (Wellington), Leandro Cardoso (Luiz Eduardo), Alysson e Edson Miolo; Goiano, Léo, Jackson e Élvis; Joelson e Brasão. Técnico: Dado Cavalcanti



Náutico 2

Gustavo; Daniel, Ediglê, Igor e Rafael Forster (Rodrigo Dantas); Gomes, Hamilton, Derley e Zé Carlos; Carlinhos Bala e Bruno Meneghel (Geílson). Técnico: Alexandre Gallo



Local: Arruda
Árbitro: Nielson Nogueira
Auxiliares: Erick Bandeira e Jossemar Diniz
Gols: Edson Miolo (aos 42 do 1 T), Brasão (aos 17 e aos 41 do 2 T), Igor (aos 39 do 2 T), Derley (aos 40 do 2 T) e Jackson (aos 46 do 2 T)
Cartões amarelos: Brasão, Igor, Allyson, Léo, Goiano
Cartões vermelhos: Brasão, Edson Miolo, Bala
Público:28.556
Renda: R$ 158.965,00

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