domingo, fevereiro 21, 2010

Futebol se defende do calor

Com alteração do clima no Brasil, saúde dos atletas é posta em risco

Não precisa ser especialista para saber que há algo de errado com o clima no planeta. Atualmente, no caso do Brasil, para isso, basta sair à rua e sentir na pele o calor escaldante que faz. É a comprovação na prática do que os institutos de metereologia estão alertando: uma forte onda de calor, como há muito tempo não se registrava, está atingindo o País. As temperaturas batem recordes nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Rio Grande do Sul, os termômetros tiveram marcações inéditas no interior a na capital. Até o Nordeste, acostumado com o sol “de rachar”, sofre com o problema. No Ceará, a média de temperatura de janeiro ficou 1,5 graus acima da média histórica. Em Pernambuco, esse número chegou a 2 graus.

Se pessoas normais já sofrem com o calor nos seus cotidianos, o que dirá atletas, de quem é exigido o máximo esforço físico durante suas atividades. Ainda mais nesta época do ano em que, segundo especialistas, no período de janeiro a fevereiro, os raios ultravioletas - nocivos à saúde humana - aumentam mais de 100% em relação aos outros meses do ano. Isso acontece devido à inclinação do eixo da Terra, que faz que a incidência dos raios solares seja maior.

A exposição ao sol leva à desidratação que, por sua vez, gera diversos efeitos, que vão desde náuseas e escurecimento de vista até a queda brusca de pressão arterial. Isso pode explicar alguns acontecimentos, como o desmaio de um comentarista de televisão durante a transmissão de uma partida do Campeonato Gaúcho, iniciada às 17h (horário local de verão) e com os termômetros registrando nada menos do que 37 graus (com sensação térmica de 44 graus) ou a paralisação de jogos para que os atletas se hidratassem - além do próprio Rio Grande do Sul, foram registradas paradas em Alagoas e Minas Gerais.

Por conta disso, iniciou-se, em todo o País, uma onda de protestos por parte dos sindicatos dos jogadores profissionais para evitar que os atletas fossem submetidos ao forte calor durante os jogos. Numa briga que foi parar nos tribunais, conseguiu-se a proibição da realização de partidas antes das 17h. O movimento começou no Rio Grande do Sul, mas os demais estados começaram a adotar a medida.

E assim foi em Pernambuco. Após o Carnaval, a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) mudou os horários das partidas nas rodadas de final de semana, das 16h para as 17h, como manda a determinação. A medida vai até o dia 21 de março, quando se encerra oficialmente o verão. “Seguimos a recomendação da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que atendeu a um movimento dos sindicatos de jogadores em todo o País”, explicou o vice-presidente de futebol da FPF, José Joaquim.

Mais do que os profissionais, em Pernambuco, a determinação traz enorme benefício aos juniores. Isso porque, quando as partidas principais iniciavam às 16h, eles atuavam às 13h30. Isso aconteceu em quatro rodadas e trouxe consequências sérias. Um jogador do Porto, o goleiro Róbson, desmaiou após uma partida contra o Central. A reclamação era geral por parte dos treinadores das equipes de base, que viram o desempenho dos seus jogadores caírem nos confrontos neste horário. “O calor estava muito grande. O garoto passou mal e desmaiou”, relatou o técnico dos juniores do Porto, Bezerra. A FPF se defende e diz que já iria tomar providências. “Essa era uma situação que estava nos preocupando bastante. Mesmo se não houvesse mudança no horário dos profissionais, nós iríamos pensar em alguma coisa para os juniores”, garantiu José Joaquim.

Nenhum comentário: